Reduza os seus nitratos naturalmente com plantas flutuantes
F. MattierPartilhar
Se me lê regularmente, conhece a minha paixão pelo equilíbrio natural. No entanto, ainda vejo demasiados entusiastas a conceber belos aquários ou tanques esquecendo um elemento crucial. Para mim, um ecossistema sem plantas flutuantes para aquário ou tanque é um sistema que se priva voluntariamente dos seus melhores purificadores. Deixe-me explicar-lhe porque o seu acesso privilegiado aos recursos as torna simplesmente imbatíveis face às algas.
O segredo das flutuantes: CO2 atmosférico e luz sem filtro
Na água, a guerra pelos nutrientes é intensa. As plantas submersas têm de lutar para captar o dióxido de carbono dissolvido, frequentemente presente em quantidade limitada. As plantas flutuantes, por outro lado, encontraram a falha: libertam-se dessa competição ao absorver o seu CO2 diretamente do ar, onde é inesgotável!
Mas essa não é a sua única "vantagem desleal". Elas também estão na primeira fila para a luz. Ao contrário das plantas de fundo, beneficiam de luz solar direta ou da iluminação da sua rampa sem qualquer atenuação devido à profundidade da água ou à sombra de outras plantas.
Consequência direta desta abundância de carbono e luz? Funcionam a todo o vapor e tornam-se bombas poderosas para aspirar os nutrientes da água. É o método mais eficaz para reduzir os nitratos naturalmente. Ao ocupar a superfície e devorar os recursos, cortam literalmente o alimento às algas.
A Azolla: a minha arma secreta contra os fosfatos
Na grande família das flutuantes, a Azolla é um caso fascinante. Vive em simbiose com uma cianobactéria que lhe permite captar o azoto diretamente do ar.
Aí reside a sua magia: como não é limitada nem pela falta de azoto nem pela falta de carbono (que obtém ambos do ar), pode concentrar-se no resto. Assim, absorve massivamente os fosfatos da água para sustentar o seu crescimento, mesmo que a sua água seja muito pobre em azoto! O papel da azolla nos fosfatos complementa perfeitamente a ação das outras plantas. Ao combiná-la com outras flutuantes, cobre todo o espectro da purificação biológica.
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A exceção da oxigenação
Tenha atenção, contudo, a uma ideia errada: uma vez que os seus estomas (os "poros" por onde respiram) estão em contacto com o ar, as flutuantes libertam o seu oxigénio para a atmosfera, e não para a água. A exceção que confirma a regra é a famosa lentilha d'água trilobada (Lemna trisulca), que vive suspensa logo abaixo da superfície e oxigena assim o meio aquático.
Raízes cheias de vida: um refeitório para os seus alevins
As plantas flutuantes não são apenas filtros químicos, são também o coração da biodiversidade do seu aquário. As suas raízes formam uma verdadeira "micro-jungla" suspensa. Esta rede densa está repleta de bactérias purificadoras e infusórios.
Esta zona hiperativa não é apenas um refúgio seguro para a microfauna, é também um refeitório excecional. Em aquário como em tanque, as dáfnias e sobretudo os alevins encontram aí uma alimentação natural abundante desde os seus primeiros dias de vida. Podem esconder-se enquanto picam as micropresas microscópicas que aí proliferam.
Para os amantes de grandes poluidores (peixes dourados, carpas koi), não esqueçamos o aspeto alimentar. As lentilhas d'água para peixes dourados não são apenas um simples petisco: são uma alimentação essencial e um dos melhores alimentos para estes peixes com tendência herbívora. Esta base vegetal viva, saudável e 100% gratuita é um verdadeiro banquete, ainda mais se alguns pulgões se juntarem para adicionar um suplemento de proteínas! Eles gostam tanto que são capazes de limpar completamente um tanque das suas lentilhas d'água durante o verão. Os seus peixes deliciam-se e regulam assim naturalmente a população da superfície.
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Como gerir a invasão? A arte de filtrar a luz
O lado negativo de tanta vitalidade é, claro, a invasão. O objetivo não é cobrir totalmente a superfície e mergulhar as suas plantas de fundo na escuridão absoluta. Deve ver as flutuantes como uma persiana veneziana: devem "filtrar" a luz.
É importante escolher as suas espécies em função do tempo que deseja dedicar à manutenção. As lentilhas clássicas ou a Azolla têm uma velocidade de propagação fulgurante. Se preferir um ritmo mais calmo, opte por espécies de desenvolvimento mais lento e mais fáceis de retirar manualmente, como a Salvinia, o Phyllanthus ou a Alface-flutuante.
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🚨 O ponto legal: atenção à Alface d'água!
Tenho de fazer um alerta da maior importância. Ainda se encontra com demasiada frequência Pistia stratiotes (Alface d'água) em mãos particulares. Esta planta está agora estritamente proibida na Europa. A sua posse, oferta e venda são ilegais devido ao seu caráter altamente invasivo nos nossos ambientes naturais. Se a possuir, destrua-a (compostando-a longe de qualquer ponto de água) e substitua-a por Alface-flutuante ou Salvinia, igualmente bonitas e perfeitamente legais.
Conclusão: a evidência da simplicidade biológica
Não combata as algas com produtos. Não se esgote a fazer trocas massivas de água. Deixe simplesmente a natureza fazer o que sabe fazer melhor. Ao introduzir plantas flutuantes, oferece ao seu ecossistema um teto protetor, um refeitório vivo e uma estação de tratamento incansável.
Mattier



