Água do tanque demasiado quente: como as plantas flutuantes salvam os seus peixes da vaga de calor
F. MattierPartilhar
É preciso aceitar a realidade: as vagas de calor já não são anomalias climáticas excecionais. Tornaram-se frequentes, surgem cada vez mais cedo na estação e agora ocorrem quase todos os anos. Em lagoas como em poubellários, a questão da sombra deixou de ser um mero conforto estético: tornou-se uma necessidade absoluta para a sobrevivência dos seres vivos.
Quando a água do lago está demasiado quente, todo o ecossistema sufoca. Mas antes de se lançar em soluções tecnológicas dispendiosas, deixe-me apresentar-lhe a minha arma secreta, com milhões de anos.

A física do sobreaquecimento: o guarda-sol vivo
Muitos aquaristas perguntam-se como arrefecer a água do lago no verão. Para encontrar a solução, é preciso primeiro compreender a física.
Ao contrário do que se pensa, não são os raios UV que aumentam a temperatura do seu lago, mas sim os raios infravermelhos do sol. A água absorve massivamente esta energia térmica. Para bloquear esta acumulação de calor, o melhor método é criar um escudo térmico na superfície.
É aqui que as plantas flutuantes para lago entram em ação. Ao cobrir a superfície, atuam como um verdadeiro guarda-sol natural. Filtram ou bloqueiam a penetração da luz, impedindo assim o sobreaquecimento das camadas inferiores. Isto é vital, pois uma regra química implacável governa a vida aquática: quanto mais quente a água, menos consegue reter o oxigénio dissolvido. Manter a água fresca é literalmente permitir que os seus peixes respirem.

O superpoder das flutuantes contra as algas
Para além do seu papel como escudo térmico, estas plantas possuem um superpoder metabólico. Se está a combater as algas verdes ao sol, elas são o seu melhor aliado.
Ao contrário das plantas submersas que precisam extrair o CO2 dissolvido na água (um processo lento e energeticamente dispendioso), as plantas flutuantes têm a cabeça ao ar livre. O seu acesso ao CO2 atmosférico é ilimitado, e captam a luz solar em plena intensidade.
O resultado? O seu crescimento é fulminante. Para sustentar esta explosão vegetal, elas absorvem os nitratos e os nutrientes presentes na água a uma velocidade incrível. Elas literalmente privam as algas de alimento, privando-as tanto de luz como de nutrientes.
👉 Para saber mais sobre esta dinâmica, releia o nosso artigo sobre a gestão natural da água verde.
O guia das espécies: escolha o seu escudo vegetal
Cada lago é único. Aqui estão as espécies que uso e recomendo, com as suas forças e especificidades.
A Lentilha d'água: a voraz absoluta
- Perfil : é a base alimentar por excelência para peixes dourados e carpas koi, que a adoram.
- Gestão : se o seu lago contém estes peixes, eles regulam a sua população. Atenção, porém: num tanque sem peixes herbívoros, o seu crescimento é tão rápido que se torna rapidamente invasiva. Será então necessário retirar o excesso à mão (ou com uma rede) para deixar a água respirar.
👉 Descubra a nossa Lentilha d'água
A Grande lentilha: a força tranquila
- Perfil : maior e mais carnuda que a sua prima, resiste muito melhor ao ataque dos peixes.
- Gestão : o seu crescimento sendo um pouco menos fulgurante, é muito mais fácil de gerir e menos invasiva. Por outro lado, é sensível ao gelo e raramente sobrevive ao inverno ao ar livre.
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A Azolla: a magnífica caprichosa
- Perfil : a Azolla em lago é uma pequena samambaia fascinante que passa o inverno ao ar livre sem problema. A sua raridade biológica reside na capacidade de fixar o azoto diretamente do ar.
- Gestão : como tem azoto à vontade, é obrigada a consumir massivamente os fosfatos da sua água para equilibrar o seu crescimento. É a arma absoluta para privar as algas do seu combustível. É uma planta de carácter forte: pode explodir e cobrir o lago num mês, ou declinar sem que se perceba sempre porquê.
A Salvinia: o filtro de luz perfeito
- Perfil: as suas folhas cobertas de micro-pelos hidrofóbicos repelem a água. O seu tamanho protege-a geralmente do apetite dos peixes.
- Gestão: não sobrevive ao gelo e terá de ser recolhida no inverno. Apesar de um crescimento vigoroso no verão, os seus cachos retiram-se muito facilmente à mão. A sua forma única permite filtrar a luz de forma bonita sem mergulhar o lago numa escuridão total.
A Alface-flutuante (Limnobium): a campeã da purificação
- Perfil: a alface-flutuante é majestosa. Desenvolve longas raízes pendentes e plumosas que formam um refúgio de sonho para os alevins e a microfauna.
- Gestão: cresce com uma força incrível durante todo o verão, filtra a luz suavemente e as suas folhas carnudas resistem bem aos peixes. Tal como a Salvinia, teme o gelo e deve ser guardada no interior durante o inverno.
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A armadilha do lago: alerta para a circulação térmica
Vejo com demasiada frequência este erro no verão: por medo da falta de oxigénio, o aquarista põe a sua bomba ou filtro a funcionar a todo o vapor durante a onda de calor. É uma armadilha mortal.
A física diz que a água fresca, mais densa, desce para o fundo do lago. É aí que os seus peixes irão refugiar-se nas horas mais críticas. Ao ativar uma circulação potente, destrói essa estratificação térmica. Pega na água quente da superfície para a injetar no fundo, transformando todo o seu tanque num banho-maria. Em caso de onda de calor, reduza a circulação, deixe a camada fresca no fundo e confie nas suas plantas submersas oxigenantes (ceratofilo, elodea, Egeria najas, etc.) para oxigenar a água durante o dia.
O truque do Poubellarium: o impacto das paredes
Se praticar a estiva, a dinâmica é ligeiramente diferente. Num poubellarium, o aquecimento não vem apenas da superfície: atinge também diretamente as paredes do tanque (especialmente se forem de plástico preto).
A minha recomendação é simples: além das suas plantas flutuantes, instale uma treliça de bambu ou simples tábuas de madeira no lado sul do seu recipiente. Fazer uma barreira contra o sol direto nas paredes laterais permite ganhar preciosos graus.
👉 Revise os fundamentos do bem-estar animal no verão no nosso guia do Poubellarium.
Conclusão: observe e confie no que está vivo
Passar por uma vaga de calor exige sangue frio, para nós e para os nossos tanques. Deixe de lado os produtos químicos e os gadgets elétricos. Invista na vegetação flutuante, proteja as paredes expostas e aceite que a natureza desacelere o seu ritmo com o calor intenso. Um ecossistema equilibrado tem todas as condições para sobreviver.
Mattier
FAQ: Gerir as suas plantas flutuantes no verão
Que proporção do lago deve ser coberta pelas plantas?
O ideal durante uma vaga de calor é cobrir cerca de 50 a 60% da superfície. Isso permite criar uma sombra densa e reduzir a temperatura da água, ao mesmo tempo que deixa superfície suficiente livre para as trocas gasosas noturnas (momento em que as plantas libertam CO2 e consomem oxigénio).
Como hibernar a alface-flutuante e a salvinia?
Assim que as temperaturas noturnas se aproximam dos 5°C no outono, recolha os exemplares mais bonitos. Coloque-os num aquário interior, numa divisão luminosa (ou sob uma simples lâmpada LED), com água à temperatura ambiente (18-20°C). Elas passarão o inverno em repouso e estarão prontas para explodir novamente na primavera seguinte, depois de afastadas as geadas.
Por que a minha Azolla fica vermelha no verão?
É completamente normal! A Azolla possui um pigmento protetor (a antocianina) que atua como um protetor solar. Quando exposta a uma luz solar muito intensa ou enfrenta uma carência temporária de nutrientes, ela fica vermelha para se proteger. Isso não é um sinal de má saúde, mas simplesmente o seu magnífico traje de verão.






7 comentários
excellent article mais n’oubliez pas les nympheas qui sont des parasols très efficaces et qui en plus offrent de merveilleuses fleurs.
J oubliais
Et que pensez vous des simples bulleurs ?
J oubliais
Et que pensez vous des simples bulleurs ?
Excellent article, merci pour ce résumé efficace qui nous éclaire sur les bons gestes, comme d habitude ,
Vous n avez pas évoqué les najas , qui se développe à grande vitesse comme les azollas, est ce parce qu elles sont semi immergées ?
Bel été à tous
Nadège
Bonjour,
Pour la grenouillette, je les laisse facilement à l’année au bassin, elles font des petits bourgeons qui tombent au fond (80cm) et remontent au printemps et souvent déjà avec de belles feuilles. Attention aussi à limiter leur “invasion” l’été au bassin afin de bien laisser une partie de la surface claire: on peut prélever les plantes accessible au bord et alimenter le compost avec. A l’automne avant décembre, il faut cependant enlever toutes les plantes qui meurent et ainsi limiter la formation de vase. (On peut aussi étager les plantes en fonction des saisons, par exemple avec le crispus plante oxygénante de fond et qui meure/disparait au début de l’été pour revenir à l’automne/hiver.)
A bientôt :)
-K